Comunicação política não é improviso
- Larissa Lucero
- 9 de mai.
- 2 min de leitura

Comunicação pública como pilar estratégico da gestão
O improviso é o maior inimigo da transparência. Na administração pública, a comunicação não deve ser um apêndice da gestão, mas o seu sistema nervoso central. Conforme defende Jorge Duarte, uma das maiores autoridades brasileiras na área, a comunicação pública deve ser tratada como uma ferramenta de gestão estratégica, capaz de fortalecer o relacionamento entre o Estado e a sociedade civil.
Não comunique a partir do seu ponto de vista
Muitas vezes, gestores cometem o erro de comunicar sob o prisma do seu próprio "mundo de entendimento". Esse fenômeno ignora o que o teórico francês Pierre Zémor chama de "interesse geral": a comunicação deve ser centrada no cidadão, que é, ao mesmo tempo, usuário, eleitor e contribuinte.
Ignorar a diversidade de instrução, idade e realidade social da população cria ruídos intransponíveis. Como aponta Margarida Kunsch, a comunicação integrada e estratégica exige que a mensagem seja planejada a partir da recepção, e não apenas da emissão. Se a população não compreende o que é comunicado, o valor do serviço público prestado torna-se invisível.
É preciso criar um fluxo para externar a mensagem
Uma comunicação externa eficiente é o resultado direto de uma comunicação interna bem estruturada. Sem processos definidos, a informação chega fragmentada ou tardia ao público. Para evitar o que chamamos de "erros que custam caro", é preciso aplicar os conceitos de Comunicação Governamental Estratégica, transformando o dado bruto da prefeitura em conteúdo relevante para a comunidade.
A agilidade das redes sociais não justifica a falta de estratégia. Dedicar minutos à análise de cenário e ao estudo do público-alvo evita crises de reputação e distorções de mensagens. Em um cenário onde a desinformação ganha espaço rapidamente, a clareza objetiva e a transparência são os únicos antídotos eficazes.

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